Revista Outubro n. 14 já está on-line

O conteúdo da revista Outubro n. 14 já se encontra disponível on-line. Ver na seção Edições anteriores.

Comments Off

Contribuições para o Blog

Em seu último Encontro Nacional, realizado durante o V Colóquio Internacional Marx e Engels em novembro de 2007, a revista Outubro decidiu publicar em seu Blog (www.revistaoutubro.com.br) artigos destinados à análise da conjuntura política e social mais imediata. Com essa resolução, a revista pretende participar de modo mais intenso no debate contemporâneo abrindo seu espaço para temas que pelas suas características mais imediatas não poderiam ter lugar em uma revista de circulação semestral.

Valem para os artigos as mesmas normas da revista e os mesmos princípios programáticos, publicados no próprio Blog (ver Normas para os autores e Manifesto da revista Outubro). Os artigos, entretanto, deverão ser menores, com, no máximo 15 mil caracteres.

Os artigos devem ser enviados para o e-mail da revista outubro@revistaoutubro.com.br

Esperamos contar com a colaboração de todos.

Um abraço
A Secretaria de Redação

Comments Off

Revista Outubro n. 16

Materiais para um marxismo crítico

O ano de 2007, além de comemorarmos os 90 anos da Revolução de Outubro de 1917, está sendo um ano verdadeiramente muito especial, muito além da efeméride, para o marxismo acadêmico brasileiro. Em primeiro lugar, tivemos no mês de agosto a realização do I Colóquio Marx e os Marxismos na Universidade de São Paulo (USP). Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), por sua vez, teremos a realização de mais uma versão do V Internacional Colóquio Marx-Engels, nosso mais tradicional e importante encontro de marxólogos e marxistas, ocasião na qual estaremos realizando o Encontro nacional da revista Outubro. E, completando essa revitalização institucional do marxismo acadêmico no Brasil, foi realizada no 31º Encontro Anual da Associação nacional de Pós graduação em Ciências Sociaias (Anpocs) uma muito bem sucedida Sessão Temática dedicada ao “Marxismo e as Ciências Sociais”.

A rearticulação do campo marxista acadêmico no Brasil dá mostras de vitalidade, apontando, concomitantemente, para um futuro promissor. A revista Outubro tem buscado fortalecer essa rearticulação por intermédio tanto da iniciativa pessoal de nossos colaboradores quanto do fortalecimento de nosso projeto político-editorial. O volume que o leitor tem em mão testemunha, sem dúvidas, esse fortalecimento. Senão, vejamos…

Em “As contradições e os antagonismos próprios ao capitalismo mundializado e suas ameaças para a humanidade”, François Chesnais, nosso conhecido colaborador, descortina uma síntese de época. Mesclando análise crítica e raciocínio programático, o economista francês resgata aquilo que há de mais instigante na tradição teórica marxista: a contestação científica do capitalismo. O mesmo tema vamos encontrar no artigo de Luciano Vasapollo. De certa forma, os dois artigos dialogam um com o outro e complementam-se mutuamente oferecendo ao leitor uma visada larga sobre as principais contradições capitalistas contemporâneas, assim como sobre as possibilidades de saída para a crise contemporânea.

Dando seqüência à vocação de analisar a teoria marxista à luz das particularidades brasileiras, submetemos ao leitor o texto de Felipe Demier acerca da relação entre a teoria do desenvolvimento desigual e combinado de León Trotsky e a produção intelectual marxista brasileira que desafiou a interpretação “canônica” stalinista e filo-stalinista dos anos de 1950-1960 a respeito da formação social brasileira. Trata-se de um tema ainda pouco explorado pela literatura especializada e que recebe um significativo aporte de nossa parte.

O artigo de Alvaro Bianchi reflete sobre a relação entre democracia e revolução no pensamento de Marx e Engels. O autor explora os meandros do pensamento político de Marx e Engels no momento de consolidação da nova visão social de mundo que conhecemos por marxismo. Sérgio Lessa, por sua vez, focaliza em seu artigo o debate contemporâneo em torno das condições objetivas e subjetivas para a revolução social. Sergio Lessa.

Dando seqüência às preocupações da revista Outubro de sempre debater assuntos polêmicos constantes da pauta atual dos movimentos sociais, publicamos dois artigos extremamente contemporâneos: Marcelo Badaró Mattos discute o problema das políticas sociais afirmativas e Hajime Nozaki e Adriana Machado Penna debatem o papel do esporte na atual fase imperialista. No momento em que a opinião pública e a comunidade acadêmica começam a discutir com mais profundidade a política do governo Lula de expansão das vagas no ensino superior e no ano em que foi realizado os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro esses artigos mostram o caráter propriamente coetâneo da crítica marxista que buscamos sempre estimular e ecoar.

E fechando esse número de Outubro, apresentamos um trabalho de Nicolas Tertulian que nos brinda com as principais linhas de força e cada uma das duas últimas grandes obras de Georg Lukács, a Estética e a Ontologia do Ser Social. No ano em que comemoramos os 90 anos da Revolução de Outubro, nossa revista demonstra com esse número a qualidade de seu engajamento na atual luta ideológica, consciente da importância do papel que um marxismo crítico e revigorado em sua capacidade teórica ainda desempenhará nas próximas décadas. Por tudo isso, nós da secretaria de redação desejamos a todos uma ótima leitura.

Sumário

Apresentação

As contradições e os antagonismos próprios
ao capitalismo mundializado e suas ameaças para a humanidade

François Chesnais

Crescimento, guerra, meio ambiente e imperialismo:
contradições capitalistas do século 21

Luciano Vasapollo

A lei do desenvolvimento desigual e combinado
de León Trotsky e a intelectualidade brasileira

Felipe Demier

Democracia e revolução no pensamento de Marx e Engels (1847-1850)
Alvaro Bianchi

Revolução e contra-revolução, fator subjetivo e objetividade
Sergio Lessa

Cotas, raça, classe e universalismo
Marcelo Badaró Mattos

O novo papel do esporte
no contexto da ofensiva imperialista recolonizadora

Hajime Takeuchi Nozaki e Adriana Machado Penna

O pensamento do último Lukács
Nicolas Tertulian

Resenhas

CAMARGO, Sílvio. César. Modernidade e dominação: Theodor Adorno e a teoria social contemporânea. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2006,
por Luciana Rodrigues Alves

SECCO, Lincoln, Gramsci e a revolução. São Paulo: Alameda, 2006,
por Luciana Aliaga

KAREPOVS, Dainis. A classe operária vai ao Parlamento: o Bloco Operário e Camponês do Brasil. São Paulo: Alameda, 2006,
por Carlos Zacarias F. de Sena Júnior

AMORIM, Henrique. Teoria social e reducionismo analítico. Caxias do Sul: Educs, 2006,
por Leandro de Oliveira Galastri

Comments Off

Revista Outubro nº15

À luz da teoria social e marxista, uma forma de entender melhor o mundo atual

Em seu mais recente número, a revista Outubro traz como destaque principal a questão palestina, que se arrasta há décadas e é ponto-chave no complexo xadrez geopolítico de uma região já marcada pela instabilidade, o Oriente Médio. No artigo “Argumentos para a Palestina”, o pesquisador argentino Cláudio Katz desmente alguns dos principais mitos a respeito da ação israelense contra o Líbano em 2006. Após analisar os dilemas e limites do nacionalismo árabe e apresentar duas alternativas para a questão palestina, Katz defende a formação de um único Estado, laico e democrático, proposta ousada e oposta ao modelo sionista e às vertentes teocráticas promovidas pelo integrismo islâmico.

Outros temas, igualmente atuais, também se fazem presentes neste número. A encruzilhada política vivida hoje pela Bolívia é abordada no artigo do antropólogo boliviano Pablo Regalsky, que destaca a série de mobilizações sociais que refletem a entrada em cena dos camponeses de origem quíchua e aimará que ocorrem no bojo da chegada do também aimará Evo Morales à presidência da Bolívia. A experiência cubana de planificação da economia na década de 1960 é o ponto de partida dos professores de economia da UFU e UFES respectivamente, Marcelo Carcanholo e Paulo Nakatani, para discutir as relações e divergências entre o mercado e a planificação socialista.

A partir do estudo do trabalho e rotina dos operadores de telemarketing, o artigo de Ruy Braga, professor do Departamento de sociologia da USP, apresenta a “outra face” do trabalho informacional e cotejando, ao menos em parte, a miséria do trabalho informacional autêntico com a prosperidade do trabalho informacional idealizado.

Publicada pelo Instituto de Estudos Socialistas e editada pela Alameda Editorial, a Outubro mantém sua identidade, marcada pelo debate crítico de temas relacionados à política internacional e a ciência política, passando pela história, sociologia e economia.

Índice

Apresentação

O Estado e a construção de Estados
Bob Jessop

Bolívia na encruzilhada:
o governo de Morales e a política indígena

Pablo Regalsky

Argumentos pela Palestina
Claudio Katz

A vingança de Braverman ou a “outra face” do trabalho informacional
Ruy Braga

Classes sociais em metamorfose:
o caso francês

Paul Bouffartigue

A totalidade como categoria central na dialética marxista
Edmilson Carvalho

A planificação socialista em Cuba e o grande debate dos anos 1960

Marcelo Dias Carcanholo e Paulo Nakatani

Resenhas

Domenico Losurdo. Antonio Gramsci::
do liberalismo ao “comunismo crítico”
Rio de Janeiro: Revan, 2006.
por Leandro Galastri

Edmundo Fernandes Dias. Política brasileira:
embate de projetos hegemônicos.
São Paulo: Instituto José Luiz e Rosa Sunderemann
2006. Série Polêmicas, 4.
por Maria Amélia Ferracciú Pagotto

Felipe Demier (coord.). As transformações do PT e os rumos da esquerda no Brasil
Rio de Janeiro: Bom Texto, 2003.
por Marcos Barreira

Lúcio Flávio de Almeida. A ilusão do desenvolvimento:
nacionalismo e dominação burguesa nos anos JK
Florianópolis: UFSC, 2006
por Danilo Enrico Martuscelli

Chamada de trabalhos
V Colóquio Internacional Marx e Engels

Normas para autores

2 comentários »

Revista Outubro n. 14

Revista Outubro ganha nova editora e projeto gráfico

Em seu 14º número, a revista Outubro ganha cara e editora novas. O novo visual gráfico da publicação do Instituto de Estudos Socialistas busca reforçar sua identidade, marcada pelo debate crítico de temas relacionados a política internacional e a ciência política, passando pela história, sociologia e economia. Entre os autores, figuram intelectuais brasileiros e estrangeiros que, em comum, encontram na melhor teoria social e marxista os elementos para entender de modo profundo e claro o mundo em que vivemos.

No artigo de abertura, o norte-americano John Bellamy Foster, co-editor da renomada Monthly Review, procura revelar aquilo que a ideologia “democrática” dos Estados Unidos esconde. A partir de textos “canônicos” da geopolítica, mas também passando por obras e documentos representativos do pensamento imperial dos EUA, Foster mostra que a política imperial do país atua no sentido de criar um espaço global para a acumulação de capital liderado pela classe dominante norte-americana.

Entre os brasileiros, destacamos o texto de Marcelo Badaró Mattos, que avalia a apropriação da obra do historiador marxista inglês E.P. Thompson. Para Mattos, Thompson sofreu no Brasil um processo de “domesticação” não-marxista ou, até mesmo, antimarxista. Também nesta edição, os movimentos sociais na França são tema de um instigante artigo do professor de história da USP Osvaldo Coggiola, que discute a força das manifestações da juventude francesa contra o Contrato do Primeiro Emprego.

A editora Alameda passa, também, a distribuir números anteriores da revista.

Índice

Apresentação

A nova geopolítica do império
John Bellamy Foster

O materialismo histórico de Cohen:
um determinismo tecnológico fadado a uma guinada normativa

Fabien Tarrit

Da produção do chamado “jovem Marx”:
algumas notas sobre os Manuscritos econômico-filosóficos

Jesus Ranieri

E. P. Thompson no Brasil
Marcelo Badaró Mattos

A miséria da historiografia
Demian Melo

O movimento sindical frente ao governo Lula:
dilemas, desafios e paradoxos

Andréia Galvão

França inaugura uma nova etapa política na Europa

Osvaldo Coggiola

O setor bélico:
por que ele se instalou no coração da economia estadunidense?

Gilson Dantas

A “economia solidária”:
uma crítica marxista

Claus Germer

Resenhas:

François Chesnais (org.). A finança mundializada:
raízes sociais e políticas, configuração, conseqüências.
São Paulo: Boitempo, 2005.
por Eleutério F. S. Prado

Antonino Infranca. Trabajo, individuo e historia: el concepto de trabajo em Lukács.
Buenos Aires: Herramienta, 2005.
por Tatiana Fonseca Oliveira

Maria Cecília Manzoli Turatti. Os filhos da lona preta: identidade e cotidiano em acampamentos do MST.
São Paulo: Alameda, 2005.
por Luciana Aliaga

João Bernardo. Democracia totalitária.
São Paulo: Cortez, 2004.
por Ronan Gomes Gonçalves

Normas para os autores

Comments Off

Conselho Editorial

Conselho Editorial:

Agamenon Tavares de Almeida (UFC);
Alvaro Bianchi (Unicamp);
Ana Elizabete Mota (UFPE);
Ana Maria Alvarenga (professora – ES);
Ângela Amaral (UFPE);
Ângela Tude (Unicamp);
Antônio de Pádua Bosi (UInioeste);
Ariovaldo Santos (UEL);
Bernardo Cerdeira (jornalista SP);
Carlos Cesar Almendra (FSA);
Carlos Zacarias F. de Sena Júnior (Uneb);
Cleier Marconsin (UERJ);
Daniel Romero (Cefet-BA);
Edmar Fisch (historiador RS);
Edmilson Carvalho (UCSAL);
Edmundo Fernandes Dias (Unicamp);
Eleutério F. S. Prado (USP);
Eliane Arenas (UFF);
Elisa Guimarães (Colégio Pedro II – RJ);
Eurelino Coelho (UEFS);
Felipe Abranches Demier (UFF);
Fernando Ferrone (Cemarx/Unicamp);
Flávio Bezerra de Farias (UFMA);
Francisco José Teixeira (UECE);
Frederico Costa (UECE);
Giovanni Alves (Unesp/Marília);
Hector Benoit (Unicamp);
Henrique Amorim (Unicamp);
Henrique Carneiro (USP);
Jadir Antunes (Unioeste);
José dos Santos Souza (UFRRJ);
Juarez Duayer (UFF);
Juliana Colli (Unicamp);
Leandro de Galastri (Unicamp);
Lúcio Flávio de Almeida (PUCSP);
Marcelo Badaró Mattos (UFF);
Márcio Bilharinho Naves (Unicamp);
Maria Amélia Ferracciú Pagotto (Unicamp);
Marina Barbosa (UFF);
Paulo Denisar Vasconcelos Fraga (Unijuí);
Ricardo Antunes (Unicamp);
Robério Paulino (economista – SP);
Roberto Leher (UFRJ);
Roberto Mosca Jr. (UERJ);
Romildo Raposo (UFF);
Ruy Braga (USP);
Sara Granemann (UFRJ);
Sérgio Lessa (UFAL);
Sílvia Miskulin (USP);
Sônia Lúcio Rodrigues (UFRJ);
Valério Arcary (Cefet-SP);
Virginia Fontes (UFF);
Waldo Mermelstein (tradutor – SP).

Conselho Internacional de Colaboradores:

Alfredo Saad Filho (Inglaterra);
Francisco Sobrino (Argentina);
François Chesnais (França);
Luciano Vasapollo (Itália);
Luís Leiria (Portugal);
Michel Husson (França);
Ricardo Bellofiore (Itália).

Secretaria de Redação:

Alvaro Bianchi;
Ângela Amaral;
Marcelo Badaró Mattos;
Ruy Braga.

redacao@revistaoutubro.com.br

Comments Off

Contatos

Redação: redacao@revistaoutubro.com.br

Compras e Distribuição: alameda@alamedaeditorial.com.br

Comments Off

Manifesto Editorial

Outubro, revista do Instituto de Estudos Socialistas

Na resposta permanente à crise do capital, o movimento dos trabalhadores vem retomando, neste final de século, a possibilidade de exercer seu protagonismo histórico e superar a ofensiva ideológica que teve sua origem na derrocada dos regimes do Leste europeu.

Mas a atual ofensiva ideológica anti-socialista ainda está longe de ter se esgotado. O domínio ideológico da burguesia sobre o movimento popular continua determinando a agenda do movimento social.

A falência das formas estatais perversamente chamadas de “socialismo real”, produziu um abalo profundo em muitos daqueles que se situavam no campo do socialismo. Não foram poucos, entretanto, os que, no interior da esquerda, abandonaram seus antigos projetos e aderiram às idéias que anteriormente negavam. Confundindo o socialismo com a ideologia e as práticas vividas na antiga União Soviética e no Leste europeu, parte da esquerda tendeu a assimilar a concepção de democracia que encerra a luta dos trabalhadores nos marcos da legalidade burguesa, atrelando-os politicamente à classe dominante. Denunciaram o fracasso de tais estados como prova da impossibilidade do próprio socialismo. Não se pode, entretanto, atribuir àquelas experiências históricas um caráter socialista. Elas reproduziram formas de exploração e de dominação em tudo estranhas e antagônicas a uma transformação socialista da sociedade.

No lugar do socialismo a burguesia e seus novos admiradores colocaram a livre-concorrência e a fé no empresário, porta-voz da racionalidade do mercado. Ao invés da organização independente dos trabalhadores, o respeito aos parlamentos e o direito de escolher, periodicamente, a fração da classe dominante que governará. Na bandeira, antes vermelha, inscreveram sua nova palavra-de-ordem: todo poder ao mercado.

O que para eles está em questão é a própria possibilidade de ultrapassar as fronteiras do capitalismo, afirmada pela Revolução Russa de 1917. Não há, contudo, qualquer fundamento racional que suporte tal posição.

A ofensiva anti-socialista torna-se, desse modo, perfeitamente inteligível: ela é parte integrante da luta da classe burguesa contra as classes trabalhadoras, para desarmá-las teórica e politicamente. Tanto a ilusão da liberdade quanto o uso de procedimentos os mais coercitivos são fórmulas estratégicas de realização desse enfrentamento. A eterna exaltação burguesa do Homem e da sua Liberdade não nos deve fazer esquecer que a burguesia combate o socialismo em nome da sua própria racionalidade: para ela tudo se traduz em uma única e exclusiva intenção, a de prosseguir eternamente o processo de valorização do capital.

Para os trabalhadores, para todos aqueles que sofrem a exploração e a opressão burguesas, que suportam a brutal violência do capital, no entanto, o socialismo permanece como projeto e como arma. Permanece porque a classe operária necessita compreender, fora da representação da liberdade burguesa, as razões de suas condições de existência, para que se possa superar o processo de valorização do capital e, assim, construir seu projeto de sociedade.

O socialismo pode então ganhar todo o seu sentido e toda a sua atualidade. É a partir de um projeto de transformação socialista que se pode fazer a crítica conseqüente do capitalismo e criar as condições de sua ultrapassagem revolucionária. Só através desse projeto, as classes trabalhadoras poderão subtrair-se ao domínio ideológico da burguesia.

Não basta, porém, uma situação de crise do capitalismo para que possamos fazer sua superação histórico-concreta. Faz-se necessária a construção tanto da organização independente dos trabalhadores, quanto da direção intelectual e política que, com o movimento real das classes trabalhadoras, poderá fazer a análise e trabalhar as estratégias para tal superação revolucionária. Ora é exatamente sobre essas questões que, mais e mais, incide a dominação burguesa.

Face à crise capitalista, evidenciada no momento atual pelo debilitamento da estratégia neoliberal e pelo crash das bolsas, abre-se um período de crises políticas nacionais. Um amplo campo de intervenção prática e teórica está posto para aqueles que recusam a paralisia imposta pelo pensamento dominante: a análise da crise do capitalismo e do modelo neoliberal; a análise crítica das tradições social-democratas e estalinistas que prevaleceram no campo da esquerda; o resgate histórico das experiências revolucionárias; o questionamento da democracia burguesa; as transformações no processo de trabalho e a história do movimento operário.

A capacidade interpretativa e transformadora do pensamento socialista coloca-se cada vez mais atual. A construção de uma revista integrada às discussões teóricas e ideológicas fundamentais do debate contemporâneo, é uma necessidade real e premente. Uma revista de intervenção, aberta à colaboração de militantes e intelectuais comprometidos com a luta pelo socialismo, atenta à unidade indissolúvel entre teoria e prática, audaz e inovadora no confronto com as novas problemáticas colocadas pelo desenvolvimento do capitalismo e pela luta de classes, informada pela tradição clássica do pensamento socialista, despida de todo dogmatismo. Um veículo ativo na luta ideológica, que se proponha a enfrentar a contra-ofensiva ideológica imposta nesse terreno pelo domínio capitalista. Sua vocação é a de se consolidar como uma ferramenta de discussão e de formação teórico-política daqueles sujeitos sociais comprometidos com a atualização do pensamento socialista. Outubro será um canal de discussão e difusão do pensamento socialista inscrito no contexto do IES.

Comments Off

Normas para os autores

1 - A revista Outubro é “uma revista de intervenção, aberta à colaboração de militantes e intelectuais comprometidos com a luta pelo socialismo, atenta à unidade indissolúvel entre teoria e prática, audaz e inovadora no confronto com as novas problemáticas colocadas pelo desenvolvimento do capitalismo e pela luta de classes, informada pela tradição clássica do pensamento socialista, despida de todo dogmatismo” (Manifesto. Outubro, n.1, 1998).

2 - A revista está aberta a colaborações, mas se reserva o direito de publicar ou não os textos enviados espontaneamente à redação. Lembramos, ainda, que todos os artigos são submetidos a parecer.

3 - Os artigos poderão ser enviados em disquete e acompanhados de duas cópias em papel ou através de e-mail em arquivo anexado em formato Word. Os textos enviados deverão ser inéditos e ter no máximo 30 mil caracteres, contando notas de rodapé e espaços em branco. Os originais deverão conter título, nome do autor e filiação institucional (universidade, sindicato, etc.), resumo de no máximo dez linhas em português e abstract correspondente em inglês, acompanhados de três palavras chaves.

4 - Referências bibliográficas completas deverão constar ao final do texto, obedecendo à seguinte formatação:
4.1 - Livros: SOBRENOME, Nome. Título em itálico. Cidade: Editora, ano de publicação. Ex.: CHESNAIS, François. A mundialização do capital. São Paulo: Xamã, 1996.

4.2 - Capítulo de livros: SOBRENOME, Nome. Título do capítulo. In: SOBRENOME, Nome (org.). Título do livro em itálico. Cidade: Editora, ano de publicação, p. (paginação). Ex.: LOUREIRO, Isabel. Rosa Luxemburgo e Trotsky: a Revolução Russa de 1905. In: COGGIOLA, Osvaldo (Org.). Trotsky hoje. São Paulo: Ensaio, 1994. p. 17-34.

4.3 - Artigo de periódico: SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Nome da revista em itálico, Cidade, v. (volume), n. (número), p. (paginação), mês e ano de publicação. Ex.: SERFATI, Claude. O braço armado da mundialização. Outubro, São Paulo, n. 6, p. 47-65, 2002.

5 - As citações deverão estar entre aspas no corpo principal do texto e a referência bibliográfica correspondente deve ser colocada logo a seguir entre parênteses e no sistema autor-data, de acordo com a seguinte formatação: (SOBRENOME, ano, p. páginas citadas). Ex.: (SERFATI, 2002, p. 61-62).

Comments Off

Conselho Editorial

Conselho Editorial: Agamenon Tavares de Almeida (UFC); Alvaro Bianchi (Unicamp); Ana Elizabete Mota (UFPE); Ana Maria Alvarenga (professora – ES); Ângela Amaral (UFPE); Ângela Tude (Unicamp); Antônio de Pádua Bosi (UInioeste); Ariovaldo Santos (UEL); Bernardo Cerdeira (jornalista SP); Carlos Cesar Almendra (FSA); Carlos Zacarias F. de Sena Júnior (Uneb); Cleier Marconsin (UERJ); Daniel Romero (Cefet-BA); Edmar Fisch (historiador RS); Edmilson Carvalho (UCSAL); Edmundo Fernandes Dias (Unicamp); Eleutério F. S. Prado (USP); Eliane Arenas (UFF); Elisa Guimarães (Colégio Pedro II – RJ); Eurelino Coelho (UEFS); Felipe Abranches Demier (UFF); Fernando Ferrone (Cemarx/Unicamp); Flávio Bezerra de Farias (UFMA); Francisco José Teixeira (UECE); Frederico Costa (UECE); Giovanni Alves (Unesp/Marília); Hector Benoit (Unicamp); Henrique Amorim (Unicamp); Henrique Carneiro (USP); Jadir Antunes (Unioeste); José dos Santos Souza (UFRRJ); Juarez Duayer (UFF); Juliana Colli (Unicamp); Leandro de Galastri (Unicamp); Lúcio Flávio de Almeida (PUCSP); Marcelo Badaró Mattos (UFF); Márcio Bilharinho Naves (Unicamp); Maria Amélia Ferracciú Pagotto (Unicamp); Marina Barbosa (UFF); Paulo Denisar Vasconcelos Fraga (Unijuí); Ricardo Antunes (Unicamp); Robério Paulino (economista – SP); Roberto Leher (UFRJ); Roberto Mosca Jr. (UERJ); Romildo Raposo (UFF); Ruy Braga (USP); Sara Granemann (UFRJ); Sérgio Lessa (UFAL); Sílvia Miskulin (USP); Sônia Lúcio Rodrigues (UFRJ); Valério Arcary (Cefet-SP); Virginia Fontes (UFF); Waldo Mermelstein (tradutor – SP).

Conselho Internacional de Colaboradores: Alfredo Saad Filho (Inglaterra); Francisco Sobrino (Argentina); François Chesnais (França); Luciano Vasapollo (Itália); Luís Leiria (Portugal); Michel Husson (França); Ricardo Bellofiore (Itália).

Secretaria de Redação: Alvaro Bianchi; Ângela Amaral; Marcelo Badaró Mattos; e Ruy Braga.

redacao@revistaoutubro.com.br

Comments Off